Radio Atalaia 104.9 Fm

Radio Atalaia 104.9 Fm, Radio Atalaia 104.9 Fm ao Vivo Online

Fotos de um urso, pertinho. Mas quando o quadro não é bom, você tem um documento do urso, mas você não tem nenhuma foto do urso. Aqui o local não é bom. Não tem nada atrás. Não tem nada pra, sei lá jogos pra compor a foto, pra ajudar no quadro. Não tem nenhuma ação! Não tem nada. Impressionante! Visei um tempo dentro da lente, só vi os dentes saindo. Você não compreendia a foto da cabeça. Impressionante, não? Dava a impressão de estar no inferno de Dante, Somente os dentes aparecendo com aquelas formas. Incrível! Meu irmão bebê nunca seria capaz de ir à escola. Nunca aprenderia a ler ou a escrever como eu. Rodrigo ficaria isolado num mundo do qual jamais iríamos compartilhar. Foi muito duro para meus pais. Mas depois, algo aconteceu que mudou tudo. Graças ao amor dele, Rodrigo desenvolveu uma linguagem própria. Lentamente, aos poucos aprendemos a decifrar o alfabeto emocional dele, comunicando-nos sem palavras. Pouco tempo depois, minha mãe, meu irmão e eu pegamos um avião para o Brasil. A ditadura havia desmoronado. Eu tinha anos. Não percebia a importância daquela viagem. Num dado momento, um homem abriu a persiana e a luz do dia inundou a aeronave. A voz dele ecoou pela cabine: “Estamos voando sobre o Brasil!” Minha mãe se precipitou para abrir a sua e olhar. Mas ficou silenciosa. Havia tanto tempo que ela não via seu país. Era um momento de tanta alegria, mas quando virou para mim jogos estava chorando. Quanto a meu pai, ele estava na Guiana Francesa e iria nos encontrar depois. Era de dezembro e eu voltava ao Brasil. Era fantástico poder voltar à terra natal, após anos e meio fora. Foi assustador. Lélia não reconheceu a Vitória que havia deixado. A urbanização de Vitória mudara. Tudo estava mudado. Meu bairro estava muito mudado. Eu reencontrei meus pais. Quando os deixei eram ainda jovens e fortes. Quando voltei, encontrei-os idosos. Meu pai, já muito velho. Neste momento eu quis ver o Brasil mais profundamente. Minha irmã emprestou um carro e viajei por meses pelo nordeste do Brasil. Eu não conhecia o nordeste, mas sempre sonhara em conhecer. Brasil Encontrei essas pessoas indo fazer um enterro. Larguei o carro no acostamento e os segui. A mortalidade infantil era muito alta no nordeste do Brasil. São crianças que morreram antes do batismo. O povo acredita que quando elas não são batizadas jogos não têm direito ao paraíso. Ficarão na região intermediária, chamada ‘limbo’. Se uma criança morre com os olhos fechados é porque foi batizada pelo divino. Se os olhos estavam abertos jogos são deixadas assim para que encontrem o caminho. Caso contrário, ficarão vagando pela eternidade. Nessa época, os caixões eram alugados na igreja. Era bem mais barato alugá-los. Um mesmo caixão podia ser usado dezenas de vezes. Aqui, dá para ver bem o serviço de aluguel de caixões. É, são sapatos, com certeza. Vendia-se de tudo: sapatos, caixões, bananas, legumes jogos picolés, tudo. É uma parte do mundo em que jogos a morte e a vida estão muito, muito próximas. Aqui, um grupo fazendo as preces e também o trabalho político ao mesmo tempo. Tivemos no Brasil e continuamos a ter jogos um grande movimento de camponeses sem terra. A maioria dos movimentos dos sem terra têm origem aqui. Nasceram aqui, no nordeste do Brasil. São pessoas jogos de uma força jogos moral, uma força física jogos Mesmo sendo frágeis jogos por falta de alimentos. Vejam a aridez da região. É muito árido. Isso mesmo jogos há uma parte do Sahel no Brasil. E ali, pela estrada jogos as pessoas vão embora para não mais voltar. Por vezes a terra fica tão seca, tão difícil jogos que as pessoas emigram para o nada e de lá para o sul. E o lugarejo acaba. Abandonam a terra. Fazenda da Família Salgado Minas Gerais, Brasil Desde que cheguei ao Brasil, as terras de meu avô são assim. Secas e áridas. Quando Sebastião voltou à fazenda, após viajar pelo nordeste brasileiro, o lugar não era mais o paraíso que conhecera na juventude. Mas ele tinha outra coisa em mente. O sofrimento que testemunhara o havia transformado. Seu papel de fotógrafo adquirira um novo sentido. Compreendíamos a urgência que o obrigava a viajar. Sentia muita falta dele, mas entendia. SAHEL, O HOMEM EM AGONIA Para seu projeto seguinte, que o levaria ao Sahel, na África, Sebastião se associou aos ‘Médicos Sem Fronteiras’. Etiópia, Trabalhei na Etiópia em . E depois continuei por todo o Sahel, , jogos No todo, passei quase anos seguidos nesta região, fazendo uma reportagem sobre a fome. Havia um campo de refugiados, o maior da história da humanidade, até então. Eu tinha um ímpeto maluco de mostrar aquelas fotos. Para demonstrar que havia uma grande parcela da humanidade vivendo um enorme martírio. E decorrente de um problema de partilha e não de uma catástrofe natural. Era uma região copta. Os povos do norte da Etiópia são fortemente cristãos, de uma humildade enorme. Incapazes, mesmo com uma criança a ponto de morrer, de se impor a alguém. Preferem esperar. Vejam o estado deles, nesse campo. Nesta situação, ninguém resiste muito tempo. Se fala que num campo tal a fome matou X pessoas devido ao cansaço físico. Mas são as doenças que matam. Quando se pega cólera, desidratamos tão rapidamente que perde-se até litros de líquido por dia com diarreia. Morre-se em dois ou três dias. Rostos tão jovens e tão envelhecidos pelo sofrimento. Se reparar bem o rosto dela verá que não é velhice. O que dá a ela esse aspecto são os olhos vazios. Veja como ela é jovem. Veja seu bebê, e seu marido. A maioria das mortes era à noite, por causa do frio. Por aqui, morrer, é como a vida do dia a dia. As pessoas acostumam-se com a morte. Um marido lavando a esposa para enterrá-la. Ele usa roupa de montanha feita com pele de cabra. Era outra mulher muito jovem. Conforme a tradição copta, o corpo deve estar limpo para o encontro com Deus. Deve-se lavá-lo completamente, mesmo se jogos a água for escassa. Cada pessoa que morre é um pedaço do mundo que morre. Um pai prepara o filho para o enterro, dá o último adeus a ele. Normalmente é a família que prepara seus mortos. E saber que o governo retinha os alimentos e não deixava que chegassem à população, como aconteceu ali



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *